domingo, 24 de julho de 2011

"Olha a torre Eiffel!" - 24 de Julho de 2011

Durante a noite caiu alguma chuva e à conta disso acordámos para uma surpresa algo agradável: a Diana e o Tiago tinham deixado os ténis meio a descoberto e estes ficaram algo.. humedecidos. Mas uns pés "fresquinhos" não são nenhum contratempo de maior, por isso lá tomámos banho, desmontámos a tenda e fizemo-nos à estrada. Primeira paragem: 800m mais à frente, na pâtisserie/boulangerie mais próxima - é hora do primeiro pequeno almoço francês!







10h30: Lá nos fizemos finalmente à estrada - "670km não custam nada depois do que fizemos ontem!". Pelo caminho ainda parámos num lugarejo adorável cujo nome ninguém conseguiu apanhar onde vimos uma exposição de carros antigos. Mas a exposição continuou viagem fora, que os carros antigos foram uma constante ao longo do caminho, não fosse este dia Domingo.


A viagem foi muito gira. Muito verde por todo lado, estradas porreiras e campos imensos de cereais. A ideia inicial era comprar o pão na pastelaria e mais adiante comprar qualquer coisa para fazer umas sandes. Claro que só nos esquecemos de um pequeno pormenor: ao Domingo está tudo fechado. Ups! Mas não faz mal.. a ideia é fazer umas férias a baixo custo, não é? Não se morre a pão e água! E ao menos o pão era muito bom! :P

Por volta das 19h30 e a 17km do parque de campismo sentimo-nos finalmente em Paris - "Olha a torre Eiffel!".




Atravessámos o Sena e já ninguém nos parava, estávamos finalmente a chegar. Mas isto estava tudo a correr bem demais, esta história já estava a precisar de um bocadinho de drama.. Chegamos então ao parque para dar com o portão fechado, uma confusão de gente e uma plaquinha que dizia "Full". E nós sem reserva..

Mas não tem mal! Temos as moradas de outros parques aqui na zona! Dirigimo-nos para Maisons-Laffitte; meia hora de caminho e só Deus sabe quantos semáforos mais tarde lá chegámos ao outro parque - Full. A nossa vida começou a andar um pouco para trás..

Perguntámos na recepção pelos parques mais próximos ao qual nos responderam com uma lista de 3 ou 4. Para não repetirmos a cena, decidimos telefonar para verificar a disponibilidade. Qual não foi o nosso espanto quando, sabe Deus porquê, descobrimos que não conseguimos fazer chamadas dos nossos telemóveis para números franceses (sim, pusemos os indicativos todos, se alguém tiver uma explicação nós agradeciamos). Tentámos uma cabine telefónica, mas depois de 15 minutos à espera que um grupo de 3 alemães falasse com todos os seus familiares até à 5ª geração, descobrimos que só funcionava a cartão telefónico e não moedas. Estava mesmo tudo contra nós!

Lá voltámos a pedir ajuda na recepção ao que sugeriram o hotel Ibis mais próximo. Depois de ponderarmos as nossas opções (que não eram muitas, diga-se de passagem), lá nos arrastámos até ao hotel. 62€ por cada quarto duplo até pode parecer um preço porreirinho para muitos, mas ficou bastante acima do nosso orçamento. E se alguém estiver a ponderar qual o nosso orçamento, aproveito para referir que a noite em Pissos ficou pela módica quantia de €21.80 pelos 4. E vivam os parques de campismo! Ainda demos conta que a responsável pelo hotel era portuguesa, mas infelizmente não estava presente para fazer um descontinho aos conterrâneos.

Ao menos a noite ia ser bem dormida, o colchão era confortável e tinhamos televisão e uma carrada de tomadas ali mesmo ao lado.. tantas regalias! :P entretanto estavamos todos esfaimados (sim, relembro que o dia foi passado a pão e água) pelo que fomos à procura de morfes. Na rua perguntámos a um par de francesas por refeições baratas (<10€/pessoa) ao que elas se fartaram de rir como que desejando boa sorte.. Mesmo assim lá nos recambiaram para a Pizza Hut. 2 pizzas médias e uma coca-cola de 1,5l por pouco mais que 17€ - afinal sempre era possível!

Abancámos num parque ali perto para comer as pizzas. Ali não muito longe estava uma placa que dizia ser proibido fazer piqueniques, mas como bons Tugas que somos decidimos ignorá-la. Pormenor interessante: adorámos descobrir o nosso nome de cliente na Pizza Hut. :P







Portanto, coisas a reter da nossa desventura: nos parques de campismo em Paris e arredores é OBRIGATÓRIO fazer reserva (nem que seja no próprio dia), nos hotéis Ibis dorme-se bem e a Pizza Hut em Portugal é umas quantas vezes melhor que em Maisons-Laffitte.

A partida - 23 de Julho de 2011

3h45 da manhã. Com um olho aberto e outro fechado, toca a acartar sacos, tendas, colchões e afins. E então, o derradeiro teste: será que cabe tudo no carro? Uma coisita ali, outra aqui, fazer pressão num ponto, empurrar do outro e 5 portas fechadas. Coube! :P


4h05. Após uma primeira fotografia sofrida (a fotógrafa ainda encabrunhada) para imortalizar o momento, toca a fazer-nos à estrada! São 13h20 de viagem até à primeira dormida, um lugarejozito a sul de Bordeaux com um nome fascinante - Pissos!

6h50. Primeira paragem da viagem na bela da estação de serviço de Castelo Branco. Pausa pró café e pró xixi, encher o bucho com a bola caseira (cortesia da mãe do luís) e pomo-nos de novo ao caminho: é hora da Diana pegar no carro pela primeira vez.. Rezem por nós :P

E o caminho foi-se fazendo, a bom passo (a Diana conseguiu não nos matar a todos - boa, Diana!). Descobrimos rapidamente que o par apertado nos bancos de trás, entalado no meio da bagagem, após cada 2h de caminho começava a sentir umas dores bastante desconfortáveis no gluteos maximus (vulgo traseiro), joelhos e outros. Mas fora isso, com paragens regulares a coisa passou-se.


Confirmando as nossas expectativas, as estradas espanholas fizeram-se lindamente (gracias nuetros hermanos!), excepto uma pequena porção.. o País Basco. Uma confusão imensa de estradas, viadutos e ligações sem fim que nos fizeram perder o norte (literalmente) uma meia dúzia de vezes - o sentido de orientação do Tiago também não ajudou. Mas o GPS lá atinou e seguimos em direcção a França. Ainda suspirávamos de alívio por nos livrarmos de tal desespero quando encontrámos os nossos piores inimigos - trânsito e semáforos sem fim à vista. Acredito que a teoria da férias sem portagens é uma boa teoria, mas sem dúvida que foi posta à prova. E quando o GPS vos disser que vão demorar 2h para fazer 132km, acreditem. Não se põe em causa o Sr. GPS.


Após as duas horas mais extenuantes das nossas vidas, chegámos finalmente ao fantástico lugar de Pissos! Fantástico talvez não, mas.. "fofinho" é uma boa descrição. Às 19h36 chegámos, montámos tenda e respirámos fundo. Já está! O mais fantástico? A entrada no parque encerrava às 20h. Sorte, não é? :P

O passo seguinte era arranjar jantar - o sinal que indicava crèperíe caiu do céu :P a contenção de custos fala mais alto, por isso dividimos 2 saladas césar e comemos um crèpe cada um. Uma garrafa de Bordeaux branco soube lindamente. Difícil foi fazer o pedido, porque em Pissos mal se fala inglês. Mas com a ajuda de uma língua gestual inventada à pressão e dumas dicas da mesa ao lado lá a coisa foi ao sítio.




E Paris espera por nós amanhã. Xixi cama!