sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Au revoir, Paris! - 26 de Julho de 2011

Não sei se teremos ficado mal habituados, mas a primeira noite de regresso ao colchão de ar e à tenda não nos soube lá muito bem. Eu e a Diana deviamos estar a chocar alguma (ou então foi mesmo a ressaca cof cof), mas tivemos bastante frio durante a noite, dormimos mal e não estávamos a 100% de manhã. Mas depois de um banho, uns croissants e uma pitada de Ibuprofeno a coisa lá foi ao sítio. Recomeça a rotina - desmontar a tenda, recarregar o carro e lá vamos nós em direcção à Bélgica.


A Bélgica encantou-nos a todos. As paisagens são fenomenais, ora pastagens verdejantes salpicadas de árvores e vacas ora florestas densas, escuras e altivas. Em caminho parámos num café belga muito simpático, sentámos e apreciámos a atmosfera. Estava-se mesmo bem ali! Mas era preciso seguir viagem. A despedida foi cortesia do gato belga mais amoroso de sempre.





 
O parque de campismo onde ficámos, Camping Spineuse, na localidade de Neufchâteau, era muito mais do que podíamos pedir. Todo relvado, com coelhos (sim, coelhos!) a saltitar por todos os lados, patos que aparecem do nada para pedir comida, vacas a passear-se do outro lado do ribeiro que circundava o parque e ovelhas a balir durante a noite (alguém encomendou carnerinhos para contar?). Para além de todo este conjunto invulgar de factores que nos fizeram adorar o lugar, o parque era também extremamente sossegado e as pessoas muito prestáveis.





Como chegámos cedo decidimos ir dar uma voltinha ao Luxemburgo (a 45min de distância) para conhecer a cidade e fazer o reconhecimento das bombas de combustível a preço acessível (€1,192 contra os €1,42 em Portugal). Entrementes, por volta das 18h, começámos a sentir-nos um bocado esfomeados; em resposta ao rugido dos nossos estômagos alguém disse:
- Pois, hoje não almoçámos.
- Claro que almoçámos! Comemos....
- O que é que comemos mesmo?...
- Olha! Esquecemo-nos de almoçar!!
Cheque-mate.

A Diana resolveu telefonar a um amigo que vivera no Luxemburgo durante vários anos e pedir recomendações para o jantar. Fomos aconselhados a procurar o restaurante português Odeon. E como é que lá chegamos? "Pergunta a um taxista que são todos portugueses!". Como demos logo com o posto de turismo resolvemos entrar e pedir indicações. O homem do posto foi tão prestável que não só nos deu a morada, como tínhamos pedido, como ainda andou à procura de fotografias dos pratos, contactos para reserva, preços e afins. 15min e muitos apertos de estômago mais tarde (tinhamos mesmo muita fome!!) lá fomos nós para o restaurante. No caminnho ainda passámos por um taxista; não falámos com ele, mas o ar de Tuga era mais que óbvio - confirma-se a teoria.



O restaurante tinha um ar amigável mas algo suis generis. De um lado do restaurante erguiam-se paredes de pedra, num estilo tradicional, que contrastavam com paredes pintadas de um muito pouco típico "verde-casa-de-banho". Uma passagem de olhos rápida pela lista confirmou logo que esta refeição passaria largamente o orçamento de 4 gatos pingados que dormem em tendas e fogem das portagens a sete pés, mas um dia não são dias e, afinal de contas, nós não almoçámos! Que venha uma refeição decente, para variar!



Pedimos bife de vaca grelhado e polvo frito com arroz de tomate malandrinho. Aperitivos e vinho branco para três e águinha para a desgraçada que não aguenta o álcool e que por isso foi destacada para conduzir de volta à Bélgica (moi même). O bife era bastante bom, o polvo comia-se e o arroz.. bem, o arroz estava simplesmente divinal. No final do jantar ficámos bastante tempo à conversa com o dono do restaurante, o Sr. Carlos, que nos esteve a falar da vida de emigrante. Quando percebeu que vínhamos de Portugal a acampar Europa fora revirou os olhos. Quando soube que evitávamos portagens chamou-nos doidos. E, pessoalmente, a carapuça serviu. :P
A conta ficou em €71,40, mas todos sentimos que foi dinheiro bem gasto. Ofereceu-nos os cafés e nós deixámos uma boa gorgeta. E ficámos todos felizes!


Regressámos ao nosso parque maravilha na Bélgica para um momento de "relax". Uma jogatana de Uno ao sabor da cerveja belga: Leffe blonde para mim e para o Luís, Jupiler para a Diana e Kriek (cerveja com sabor a cereja) para o Tiago. Não se sabe ao certo quem ganhou os jogos, mas as cervejas eram boas e isso é que interessa. Agora resta-nos uma última noite antes da emocionante refeição no Waldgeist - o restaurante XXXXXL!


Não percam o próximo episódio que nós também não! :P

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Quatro tugas em Paris - 25 de Julho de 2011

Depois de uma noite bem dormida, estávamos ansiosos por dar início ao nosso dia em Paris.. só tinhamos um dia portanto havia que aproveitá-lo! Acordámos cedinho, levámos a tralha toda de volta para o carro e seguimos para o parque de campismo que havíamos reservado na noite anterior..

Passada uma hora, após um belo pequeno almoço no parque de estacionamento à entrada do parque e depois de gastarmos a módica quantia de 6 euros em três cafés, lá fomos nós montar as tendas e descarregar o carro.

Ao meio-dia estávamos finalmente prontos a ir à descoberta de Paris. Começámos por visitar o Arco do Triunfo. A fila generosa para comprar os bilhetes e os preços pouco acessíveis para o nosso orçamento apertadinho desmotivaram a subida ao topo, pelo que nos ficámos pelas fotos!!

A visita continuava..várias lojas de automóveis depois (que estranhamente constituiam uma inesperada atracção turística, à escala do Louvre para os amantes das altas velocidades..) e após uma busca desenfreada por um posto de turismo (sim, porque como bons turistas que somos precisávamos do belo do mapa) lá demos início ao percurso até ao museu do Louvre, percorrendo os famosos jardins Champs Élysées.

A fome já começava a apertar.. era chegada a hora de encher de novo as barrigas. Jardim abaixo descobrimos várias barraquinhas que vendiam toda uma panóplia de fast food, incluindo crepes, sandes, paninis e hot-dogs. O Tiago optou por um crepe, mas o resto da malta comeu cada um seu hot-dog, todos eles cobertos de ketchup e da mostarda mais activa que já tínhamos experimentado, que fazia jus à expressão "subir a mostarda ao nariz"!!

Ainda a caminho do Louvre houve tempo para algumas tentativas frustradas nos jogos de azar da feirinha lá da zona e para um granizado de laranja bem saboroso.

Como seria de esperar, a zona do museu estava apinhada de gente (era incrível o manto de gente que se via por toda a cidade).. mais uma vez decidimos não pagar a visita (há que poupar, que isto o tuga é pobrezinho..) mas houve tempo para uma dúzia de fotografias e umas garrafinhas de água, que o calor já começava a fazer-se sentir.

A próxima paragem foi na Patissier et Chocolatier Gérard Mulot, na Rue de Seine, um pedacinho de céu para os mais gulosos ou mesmo para aqueles que gostam de comer com os olhos. A variedade era imensa e o aspecto era fantástico...foi difícil escolher! Mas a vontade de provar era tanta que a bem ou a mal tivémos que nos decidir por duas variedades de tartes e um macaron para cada um: eu e a Rita arriscámos um de maracujá e basílico, o Tiago preferiu o de melão e o Luís escolheu, como sempre, chocolate.

De barriga cheia, boca doce e energia recuperada seguimos para o Panteão para dar uma espreitadela (sim, porque mais do que isso pagava-se!!) e foi nas escadas deste belo edifício que decidimos acrescentar um destino aqueles que já tínhamos decidido, o Moulin Rouge.

Mas antes faltava visitar a Catedral de Notre Dame, uma visita muito especial, não fosse este o único edifício cujo interior visitámos (era grátis eheheh).
Não pensem mal de nós, há que fazer concessões. É que além de visitar monumentos ainda temos que comer e, mais do que isso, beber uns copinhos de vez em quando. Assim sendo, a fase que se seguiu foi inteiramente dedicada a estas duas necessidades de 1º grau: começámos por comprar um saca-rolhas, adivinhando a garrafa de vinho que viria mais tarde. Depois de uns arranhões no francês e de umas risadas grandes na Quincaillerie et droguerie da esquina, lá conseguimos obter o desejado objecto e continuar a nossa missão em busca de comida. A escolha não foi difícil, uma sandes para cada um, num banquinho sobre o rio.

Partimos em busca do Moulin Rouge. Algumas estações de metro depois e uma paragem para comprar vinho no DIA e chegámos então à rua do moinho vermelho. O espaço era surreal, sex shops por todo o lado, live shows e até um museu erótico...parecia que tínhamos saído de Paris.

Mas voltando à realidade, decidimos que era chegado o momento de irmos finalmente visitar a última atracção da lista, o ícone de Paris: a Torre Eiffell.
Sentados na relva, de frente para a torre, ainda entornámos uns golinhos do vinho que comprámos no DIA e regateámos mais uma garrafa a um duas muitos vendedores de bebida que ali podemos encontrar. A noite começou finalmente a cair e, duas garrafas de vinho depois, lá nos dirigimos para a esperada subida à torre (uns mais a direito que outros..).

E mal sabíamos nós o que nos esperava. Na verdade, tudo o que podia ter corrido mal correu. Segue-se a ordem dos acontecimentos: vamos para a fila, apercebemo-nos que estamos na fila errada (depois de uma hora a seca..), mudamos de fila, reparamos a meio da fila que nos roubaram a carteira, voltamos a sair da fila, procuramos a carteira, não encontramos a carteira, voltamos, resignados, para a fila e visitamos a torre. Como se tudo isto não fosse mau, ainda tivémos a triste notícia de que áquela hora já só podíamos subir ao segundo andar e que, com todo o tempo que tínhamos perdido, corríamos sérios riscos de perder os transportes para casa.
Mas depois de tanto azar, conseguimos uma pitada de sorte: não só pudémos visitar a torre (ainda que só até metade), apreciar as maravilhosas vistas de Paris à noite, assistir a um pedido de casamento e, ainda que com muitas corridas pelo meio, conseguimos mesmo chegar são e salvos ao parque de campismo, onde uns colchões meios vazios esperavam por nós.

Chegava assim ao fim o nosso dia em Paris, um dia mágico e cheio de aventuras..